Foi punk! O trajeto começou às 5 horas da manhã, na saída de Belo Horizonte, pela BR-262, rumo ao Acre, dalí a três ou quatro dias. Fizemos em três. Foram mais de 1.000 quilômetros por dia. Mas o foco na travessia Brasil-Peru nos deu energia para aguentar a rotina diária "volante - parada para o café - volante - parada para o xixi - volante… parada para dormir...".
As estradas sempre cheias de retas e com asfalto muito bom (com exceção de partes da Rondônia e do Acre) também foram um incentivo. Como recompensa, o horizonte plano nos proporcionou um pôr-do-sol espetacular por dia. Percorremos as BRs 262, 452, 364, 070, 174, 317 e as estaduais que havia entre essas.

1º dia:
Alcançamos o primeiro destino por volta das 21 horas: Santa Rita do Araguaia (GO). O previsto era chegar até Mineiros, também em Goiás, cerca de 90 quilômetros antes. Mas era o primeiro dia de expedição, ainda estávamos descansados e prontos para ultrapassar nossos limites.
Dormimos numa das primeiras opções de hospedagem que ficava à avenida principal da cidade, onde passaram também todos os caminhões que cruzamos na rodovia. A hospedagem foi extremamente simples, mas tinha cama e garagem (essa última foi pré-requisito para todas as nossas estadias na viagem). Era o que precisávamos. Mas antes de dormir, entramos no clima de camping e fizemos nossa janta. Na garagem do lugar, abrimos as mesinhas de acampamento e acendemos os fogareiros!
2º dia:
No dia seguinte partimos cedo para atravessar o Mato Grosso e pernoitar em Vilhena, na Rondônia (ufa!). Mais uma vez, as retas com asfalto liso nos permitiram avançar e concluir o segundo dia conforme o planejado. Apesar disso, nesse dia, as estradas bateram recorde no quesito “fluxo de carretas”. Eram M-U-I-T-A-S! Também nos deparamos com alguns "pare e siga". Num deles, deu tempo de bater papo com um dos muitos caminhoneiros parados. Ele revelou que nós já tinhamos passado por ele pelas rodovias três vezes desde o dia anterior! Sentimos que estávamos famosos entre os caminhoneiros e até a animação aumentou para terminar a rota do dia! Será que viramos conversa de boleia de caminhão?!
No meio do caminho, experimentamos da famosa carne do Centro-oeste, sob o calor escaldante e abafado de Cuiabá. Numa churrascaria de posto muito boa decidimos fazer um almoço reforçado, sem medo do sono que poderia vir depois.
Ao chegar em Vilhena, por volta de 22 horas, buscamos um hotel pelo GPS e fizemos check in no Santa Rosa. Por lá, pernoitou também um grupo de motociclistas que seguia para o Atacama pelo Peru, assim como nós. Depois de lá, reencontraríamos os mineiros de Crucilândia algumas vezes mais pelas estradas do Brasil e do Peru.
No hotel, simples, mas muito mais aconchegante que o primeiro, o recepcionista nos contou que havíamos nos livrado dos pedágios dos índios da região, que andam de camionete de luxo e cobram cerca de 50 reais por pessoa para seguir pelas estradas locais. Foi bom ter chegado depois do horário comercial!
3º dia:
No último dia da saga para chegar ao Acre, cumprimos a missão parcialmente, mas ainda assim com sucesso! O objetivo era chegar a Rio Branco, mas pelo caminho descobrimos que não precisávamos. Seria um desvio de cerca de 100 quilômetros na nossa rota.
O dia havia rendido menos; já era noite e ainda não havíamos cruzado a divisa. E não o faríamos até o dia seguinte. Chegamos "somente" até Extrema (RO), totalizando 1.048 quilômetros, Para isso, percorreremos uma reta incessante que beirava por quilômetros uma fronteira obscura com a Bolívia. E depois atravessamos uma balsa sobre o Rio Madeira e sob o primeiro céu estrelado que veríamos pela expedição (para nossa surpresa, foi ainda no Brasil). O cansaço batia à porta e, depois de muitos quilômetros sem ver civilização, eis que surge Extrema!
No primeiro hotel de beira de estrada à vista paramos! Para nossa sorte, tinha vaga, garagem, acomodação confortável e café da manhã bem servido. O Hotel Rodeio parecia recém-construído e tinha inclusive rede wi-fi! Por lá, encontramos com outro grupo de motociclistas que “rumavam” para o Atacama. Esses eram (e vinham) de Maceió (AL).
Não chegamos ao Acre no terceiro dia, mas faltaram pouco mais de 50 quilômetros para cruzar a divisa. Paramos antes, em Extrema, porque já era tarde (umas 23 horas), estávamos cansados e ainda faltavam cerca de 450 quilômetros para chegar à fronteira com o Peru, pela rodovia Interoceânica (ficou para o dia seguinte). Até ali, foram 3.342 quilômetros.
A expedição começou punk e estávamos cansados. Mas em compensação tínhamos ganhado um dia extra para aproveitar o Peru. Podíamos ter feito o mesmo trajeto em quatro dias, conforme previa nosso plano B. Mas superamos o primeiro dos muitos desafios da viagem, e, a bem da verdade, felizes como pinto no lixo!







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