quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Sobre três ruínas, um vale e um camping no lago














































No 7º dia de expedição começava o percurso de Cusco rumo à cidade perdida dos Incas – Machu Picchu. Mas bem antes de chegarmos a ela, no caminho, visitamos outras ruínas importantes dessa antiga civilização e também um vale mais do que sagrado, tamanha beleza.

Ainda em Cusco, compramos um boleto turístico para passear pelas ruínas que existem na saída da cidade, no sentido de Pisaq, no Valle Sagrado. Ao todo são quatro, mas uma delas (Pukapukara) ficou de fora, porque a localização era contrária à rota das demais, e ela não nos permitiria passar por Pisaq, que estava nos planos desde o início. Decidimos, então, ganhar na quantidade e visitar Saqsaywaman, Qenqo e Tambomachay.

A primeira - Saqsaywaman - foi a de maior encanto e admiração. Contratamos uma guia no próprio local, que nos explicou, com muita simpatia, como aquelas pedras gigantes (algumas com quase 100 toneladas) foram parar lá e por qual motivo.















































Ficamos impressionados em saber que toda aquela arquitetura de pedras, construída para agradecer e rezar ao Deus Sol, foi milimetricamente moldada pela força e sabedoria daquele povo, sem ajuda nenhuma de tecnologia, em pleno século XV. Deu para entender, com isso, o quanto a cultura inca está fortemente ligada à religião, tamanho foi o tempo e a dedicação para construir o templo de Saqsaywaman! Os encaixes perfeitos das pedras e a vista que se tem de lá da cidade de Cusco também valem a visita!



















































Por lá soubemos, ainda, de outras informações curiosas:
  • inicialmente o mapa de Cusco tinha o formato de um puma e Saqsaywaman está localizada onde seria a cabeça do animal;
  • as pedras maiores e da base das ruínas eram encaixadas em sua maioria sem o auxílio de qualquer tipo de "argamassa" ou argila;
  • usava-se água para ajudar a moldar as pedras;
  • as pedras eram carregadas em cima de uma estrutura de bolas (também de pedra) para facilitar o transporte delas.
As outras duas ruínas são muito menores, mas não deixaram de ganhar nossa admiração pelas suas peculiaridades. Qenqo, que era um templo e um local para se fazer sacrifícios, formava um labirinto de pedras que, à primeira vista, parece simples, sem lapidação. Mas enquanto andávamos entre as rochas percebíamos o quanto cada curva foi arquitetada.

Tambomachay também era um templo, mas por outro lado, voltado para o culto à água. Entre as ruínas há um canal escondido que deságua em uma banheira de pedra. Como se não bastasse a perfeição das construções, os incas impressionaram ainda mais ao juntar água corrente a toda essa maestria.



























Depois de conhecer esses sítios arqueológicos percebemos que a visita a Machu Picchu seria algo muito grandioso. Faltavam dois dias.

O Valle - Seguindo viagem, optamos por desfrutar o dia contemplando as montanhas e as cidades do Valle Sagrado. Além das várias paradas nos mirantes da belíssima estrada, fizemos um apetitoso e custoso (no sentido real da palavra) pit stop em Pisaq. A pequena cidade nos encantou já de longe quando a avistamos pela rodovia cercada por montanhas gigantes iluminadas pelo sol, que já estava a pino.




















A parada foi apetitosa pelas frutas deliciosas do mercado e pelo almoço caprichado em um dos muitos restaurantes localizados ao redor da praça da cidade. E foi custosa porque gastamos uns bons soles na grande feira de artesanato da cidade. Um ótimo custo x benefício para comprar cerâmica, panos, tapetes, souvenirs, bolsas, roupas etc! A feira é completa e com produtos de boa qualidade! Já falamos mais dela em outro post.

Essa parada não podia ter dado em outra: partimos atrasados. O plano era acampar e pernoitar em Ollantaytambo (outra cidade charmosa do vale e com ruínas para apreciar), mas pela previsão do GPS não chegaríamos antes de o sol se por. Foi então que descobrimos que, meio fora do caminho, tinha um lago... com um camping! Tínhamos levado essa - e outras muitas - geolocalização que encontramos em pesquisas feitas na internet.

Mas será que acharíamos mesmo o lugar? Senão, teríamos que voltar tudo e chegar ainda mais tarde no último destino do dia. Depois de cerca de meia hora apreensivos, seguindo no sentido oposto da nossa rota, encontramos o camping, com apenas uma estrada de terra e o lago Huaypo para nos fazer companhia. Perfeito!



Chegamos com o restinho de luz suficiente para montarmos acampamento e reconhecermos o ambiente. Preparamos o jantar e fomos descansar. No dia seguinte, o café da manhã foi praticamente de hotel. Abrimos nossas caixas de mantimentos e tiramos tudo pra fora pra comemorar o primeiro café da manhã de acampamento da viagem (com vista para o lago!). O café caprichado foi tão bom que em todos os outros desayunos fizemos questão de arrumar a mesa e aproveitar a vista que de costume tínhamos.




















O camping nos proporcionou também a primeira experiência “aventura no frio”. Tivemos que lavar as vasilhas e escovar os dentes com a água gelada do lago; acampar a cerca de 8 graus; e usar o banheiro, sem existir banheiro. Humm... Se faríamos isso de novo? Por isso e por tudo que veio depois, diríamos que sim!








































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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A passagem por Cusco - a guardiã da cultura Inca


A viagem era de aventura, mas garantimos boas doses de cultura e de história ao passar por Cusco e Machu Picchu. Cada uma dessas cidades merece um post único. Vamos, então, pela ordem: a antiga capital do Império Inca - Cusco. ;)

Nossa estadia foi corrida e, muito infelizmente, não deu tempo de conhecer todos os museus, igrejas, praças etc. Ficamos dois dias e três noites na cidade, mas precisamos dividir o tempo com tarefas imprescindíveis para a expedição: troca de óleo e filtro de óleo dos carros e troca de hotel, de um dia pro outro. Parecem tarefas rápidas, mas ao somar a elas a locomoção dos carros pelo trânsito agitado da cidade, tomou-nos um bom tempo.

Foi lá nosso primeiro contato mais próximo com o povo quéchua e nossa primeira prova de fogo contra a alta altitude. Iniciamos nossa adaptação, passando quatro dias a 3.360 metros acima do nível do mar. Conhecemos e abusamos do chá e da folha de coca, à venda em todo lugar e sempre servido nos cafés da manhã dos hotéis. Também fizemos uso de algumas pílulas de ibuprofeno, um dos remédios mais indicados para o mal de altitude.

Chegada - Já era tarde quando chegamos na cidade, no dia 8 de junho. Não tínhamos reserva de hotel e, ainda por cima, nos perdemos uns dos outros ao tentar encontrar a opção de hospedagem que buscamos pelo guia: Hostal El Andariego. Recomendamos sem medo o lugar, que tivemos que abandonar já no dia seguinte, porque só tinha vaga para uma pernoite.

Teria sido um acontecimento infeliz se o próximo hotel não fosse tão interessante quanto: Hotel Monasterio San Pedro. O primeiro tinha ar de pousadinha romântica, com quartos aconchegantes e novos. O segundo era um antigo mosteiro do ano de 1650, e, apesar de ficar em frente ao mercado central da cidade, tinha um silêncio digno de meditação e três jardins internos com roseiras. Freiras cuidam do local, que também abriga, alimenta e educa meninas órfãs. Ótimo custo x benefício.

Mas voltando ao desencontro da chegada, não poderíamos ter nos reencontrado em lugar melhor para sentir o clima da cidade: a Plaza das Armas. É considerada o coração de Cusco, com restaurantes, hotéis, prédios históricos e o complexo da catedral com outras duas igrejas, uma do lado direito outra do lado esquerdo da praça. Apreciamos tudo por fora, por causa da falta de tempo, mas ficou a vontade de voltar para se dedicar somente à contemplação dos detalhes arquitetônicos da mistura inca-hispânica. Também tivemos a oportunidade de curtir todo o encanto da praça à luz do sol, no dia seguinte.














































Nesse dia, também, depois da troca de hotel, nos deliciamos com a comida e os produtos do Mercado San Pedro (nos perdemos por horas lá dentro e desbravamos o local de cabo a rabo); conhecemos mais da história Inca no Museu Inka; percorremos as ruas do centro histórico (pechinchamos mais alguns souvenirs), entre elas, a Calle Hatunrumiyoc, com a única Pedra dos 12 Ângulos que ainda resta na história da civilização Inca.




Terminamos o dia com a subida ao bairro San Blás. Depois da escadaria da Cuesta de San Blas, sentamos num agradável restaurante quase de frente para a Plazoleta e degustamos o famoso porquinho da Índia (em espanhol, cuy) e outras delícias mais. Tudo acompanhado do típico e verdadeiro pisco sour, que veio no vaso de Quero. Talvez pelo horário ou pelo dia da semana, o bairro, famoso pela boemia e bares com música ao vivo, estava calmo e sem movimento - mas nem por isso menos charmoso.







































































O terceiro dia foi mais um arremate do passeio pelo mercado central, afinal, estávamos hospedados em frente a ele, no Monastério (uma boa localização para quem quer ir a pé também ao centro histórico). As meninas aproveitaram as últimas horinhas de passeio, enquanto os meninos foram trocar o óleo dos carros.



Trânsito lôko - Por falar em carro, vale deixar registrado um relato sobre o trânsito da cidade. É um verdadeiro caos dirigir pelo centro histórico, com ruas apertadas e muitos carros e ônibus circulando. Muitas vezes o GPS manda você para a contra-mão; outras vezes você não consegue olhar tão rápido a direção pelos mapas. Por causa desse caos, um casal Nera se perdeu do outro, no primeiro e no segundo dia; o Tanque ganhou uma cicatriz (leia-se arranhão); e todos do Projeto Nera ficaram, em um momento ou outro, prestes a arrancar os cabelos!

A experiência valeu para sentirmos na pele a dificuldade que também existe ao viajar de carro (nem tudo são flores). Verdade seja dita, às vezes você precisa ter paciência ao circular pelos centros das cidades desconhecidas para enfrentar engarrafamentos, labirintos de ruelas e a direção dos motoristas locais. É meia horinha perdida ali, meia horinha acolá. E, no final, poderia ter sido um passeio pelo museu que ficou faltando. Mas não tem como tirar essa parte do pacote. E nem precisa, porque todas as outras vantagens de uma viagem com carro próprio compensam!

Concluímos que Cusco merece não apenas uma passagem, como foi o nosso caso, mas uma estadia sem pressa, com tempo para apreciar a riquíssima cultura local. Para nós, ficou a vontade de voltar e conhecer de perto os detalhes das mil atrações da cidade e andar mais junto às cholas que continuam mantendo vivos os costumes do povo quéchua. Enfim, ficou a vontade de voltar para apenas contemplar!