Por volta das 9 horas da manhã estávamos na porta de entrada da cidade perdida dos incas: Machu Picchu. Um pouco tarde para esse passeio, que pode começar às 6 horas. Mas estávamos muito cansados para madrugar, depois do longo percurso do dia anterior. Depois de visitar a cidade perdida, ainda teríamos que fazer a trilha de volta para Santa Tereza (12 quilômetros) e seguir rumo a Puno, na fronteira com a Bolívia.
Machu Picchu, que significa "velha montanha", fica a uma altitude mais baixa que a de Cusco, onde estávamos dias antes, mas o esforço que se faz para subir os degraus de lá pode ser estafante até para quem já se aclimatou. Cusco fica a 3.360 metros acima do nível do mar, enquanto a cidade perdida está a 2.500 metros.
Alguns metros depois da entrada no parque você sobe alguns degraus e, rapidamente, se defronta com a visão panorâmica mais clássica de Machu Picchu. É realmente uma visão fenomenal, que não se compara às milhares de reproduções fotográficas que existem. É preciso ver com os próprios olhos, in loco!
Fomos abençoados com um céu claro e limpo, que deixou as gramas da cidade e a selva ao redor ainda mais verdes! No horário que chegamos, a montanha de Huayna Picchu (onde estaríamos dalí umas duas horas) ainda estava parcialmente encoberta pelas nuvens. Ouvimos, inclusive, reclamações de turistas que chegam muito cedo, entre 6 e 8 horas, são surpreendidos com esse cenário nublado e precisam esperar até mais tarde para ter uma boa visão da cidade.
Ficamos cerca de 40 minutos com o guia, que nos contou detalhes muito curiosos da história desse lugar, que até hoje não se sabe ao certo se foi apenas uma cidade, uma fortaleza ou somente um grande templo de adoração ao Deus Sol. Uma das revelações do nosso guia foi a de que quando a cidade foi "descoberta" por um historiador americano, em 1911, as ruínas estavam completamente escondidas por debaixo de uma densa vegetação. Tivemos também mais uma "aula" sobre como aquelas pedras foram impressionantemente moldadas. Lá é ainda mais fascinante ver e tocar nesse perfeito quebra-cabeça de pedras (nas ruínas ao redor de Cusco começamos a ter uma noção sobre isso).
Ouvimos também que muita terra foi descarregada por lá para a construção da cidade - o equivalente a muitos caminhões, só que o meio utilizado não tinha nada de tecnologia, claro! Para isso, foram usadas as técnicas de carregamento desenvolvidas pelos incas.
Fomos apresentados pelo guia a uma cidade gigante, com setor urbano e setor agrícola - outra área em que aquele povo utilizou técnicas muito avançadas na época para cultivar seus alimentos e evitar erosão. No setor urbano, é possível perceber as residências, enxergar praças e jardins. Passamos por alguns dos principais pontos de visitação, como o templo do sol, o relógio solar e a rocha sagrada. Como ainda subiríamos Huayna Picchu e precisávamos ir embora por volta das 14 horas para fazer a trilha para Santa Teresa, outros ambientes ficaram de fora. A cidade é realmente gigantesca!
Huayna Picchu - Uma das nossas melhores escolhas foi ter comprado o ingresso para Huayna Picchu para as 10 horas (a outra única opção que existe é às 7 horas). Assim, pudemos acordar um pouquinho mais tarde naquele dia. Deu para recuperar as energias para se deslumbrar com a cidade perdida e subir os degraus da desafiadora e mais famosa montanha desse parque arqueológico.
A montanha símbolo de Machu Picchu nos desafiou em sua subida que pode variar de 40 minutos a 2 horas. O nível de dificuldade também variou para nós quatro, mas certamente o grau de satisfação ao chegar ao cume foi igual para todos. Nos momentos de muito cansaço, respirando um ar rarefeito, éramos incentivamos por quem descia, com frases do tipo "você consegue", "faltam apenas 10 minutos", "vai valer a pena". E realmente valeu! A visão lá de cima transforma Machu Picchu em tamanho de maquete naquela imensidão de montanhas da Cordilheira dos Andes coberta pela selva amazônica.Para quem já tinha ouvido falar dessa subida e tinha dúvidas: sim, você precisa assinar seu nome antes de começar o trajeto; e sim, ela é uma subida íngreme e cheia de degraus, dos mais finos aos mais altos. Mas, desmistificando o terror que existe e que também nos deixou receosos até chegar lá, explicamos que: a assinatura não significa "assine, pois a responsabilidade é só sua", mas sim uma forma de segurança e de controlar quem entra e quem sai (existe um guia que fica por conta de auxiliar os turistas que demoram para voltar); e sobre os degraus, em boa parte do trajeto existem cabos de aço que nos ajudam a subir; além disso, os degraus mais estreitos não estão a beira de um abismo. Mas se arrastar ou descer sentado em alguns deles é mais seguro e recomendado. Diríamos, então, que é uma subida possível para muitos - talvez não apropriada para quem tem pavor de altura.
Imaginar todo o trabalho que foi construir aquela cidade, naquela altura, nos dá mais forças para completar o percurso. Ver senhores e senhoras passando por você, já tendo subido a trilha, também nos deixa mais motivados. E quando se conquista o cume, a "jovem montanha" (significado de Huyana Picchu) nos faz sentir mais energizados e vencedores.
Enfim, com a visita a Machu Picchu aprendemos que muito ainda se estuda e se especula sobre a cidade inca. A cada nova escavação surgem novas interpretações. Há muito o que se descobrir, mas talvez parte dos viajantes do mundo não terão a oportunidade de ver as atuais e as novas descobertas. A visitação já é algo controlado e pode se findar, em nome da preservação desse patrimônio cultural e natural da humanidade.
Incluir o Peru no nosso roteiro pode ter sido loucura por causa dos cerca de 2.000 quilômetros a mais que tivemos que percorrer por ter partido pelo Norte do Brasil (a outra opção era ir e voltar pelo Sul do País e não incluir o Peru). Mas Machu Picchu foi certamente o lugar que não nos deixa arrepender dessa escolha, que alguns chamariam de "maluca" e nós, de corajosa.
Data do passeio: 12 de junho de 2015
Ingresso Machu Picchu com Huayna Picchu: 152 soles por pessoa
Micro-ônibus de Aguas Calientes até Machu Picchu: 12 dólares por pessoa




















