quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A passagem por Cusco - a guardiã da cultura Inca
A viagem era de aventura, mas garantimos boas doses de cultura e de história ao passar por Cusco e Machu Picchu. Cada uma dessas cidades merece um post único. Vamos, então, pela ordem: a antiga capital do Império Inca - Cusco. ;)
Nossa estadia foi corrida e, muito infelizmente, não deu tempo de conhecer todos os museus, igrejas, praças etc. Ficamos dois dias e três noites na cidade, mas precisamos dividir o tempo com tarefas imprescindíveis para a expedição: troca de óleo e filtro de óleo dos carros e troca de hotel, de um dia pro outro. Parecem tarefas rápidas, mas ao somar a elas a locomoção dos carros pelo trânsito agitado da cidade, tomou-nos um bom tempo.
Foi lá nosso primeiro contato mais próximo com o povo quéchua e nossa primeira prova de fogo contra a alta altitude. Iniciamos nossa adaptação, passando quatro dias a 3.360 metros acima do nível do mar. Conhecemos e abusamos do chá e da folha de coca, à venda em todo lugar e sempre servido nos cafés da manhã dos hotéis. Também fizemos uso de algumas pílulas de ibuprofeno, um dos remédios mais indicados para o mal de altitude.
Chegada - Já era tarde quando chegamos na cidade, no dia 8 de junho. Não tínhamos reserva de hotel e, ainda por cima, nos perdemos uns dos outros ao tentar encontrar a opção de hospedagem que buscamos pelo guia: Hostal El Andariego. Recomendamos sem medo o lugar, que tivemos que abandonar já no dia seguinte, porque só tinha vaga para uma pernoite.
Teria sido um acontecimento infeliz se o próximo hotel não fosse tão interessante quanto: Hotel Monasterio San Pedro. O primeiro tinha ar de pousadinha romântica, com quartos aconchegantes e novos. O segundo era um antigo mosteiro do ano de 1650, e, apesar de ficar em frente ao mercado central da cidade, tinha um silêncio digno de meditação e três jardins internos com roseiras. Freiras cuidam do local, que também abriga, alimenta e educa meninas órfãs. Ótimo custo x benefício.
Mas voltando ao desencontro da chegada, não poderíamos ter nos reencontrado em lugar melhor para sentir o clima da cidade: a Plaza das Armas. É considerada o coração de Cusco, com restaurantes, hotéis, prédios históricos e o complexo da catedral com outras duas igrejas, uma do lado direito outra do lado esquerdo da praça. Apreciamos tudo por fora, por causa da falta de tempo, mas ficou a vontade de voltar para se dedicar somente à contemplação dos detalhes arquitetônicos da mistura inca-hispânica. Também tivemos a oportunidade de curtir todo o encanto da praça à luz do sol, no dia seguinte.
Nesse dia, também, depois da troca de hotel, nos deliciamos com a comida e os produtos do Mercado San Pedro (nos perdemos por horas lá dentro e desbravamos o local de cabo a rabo); conhecemos mais da história Inca no Museu Inka; percorremos as ruas do centro histórico (pechinchamos mais alguns souvenirs), entre elas, a Calle Hatunrumiyoc, com a única Pedra dos 12 Ângulos que ainda resta na história da civilização Inca.
Terminamos o dia com a subida ao bairro San Blás. Depois da escadaria da Cuesta de San Blas, sentamos num agradável restaurante quase de frente para a Plazoleta e degustamos o famoso porquinho da Índia (em espanhol, cuy) e outras delícias mais. Tudo acompanhado do típico e verdadeiro pisco sour, que veio no vaso de Quero. Talvez pelo horário ou pelo dia da semana, o bairro, famoso pela boemia e bares com música ao vivo, estava calmo e sem movimento - mas nem por isso menos charmoso.
O terceiro dia foi mais um arremate do passeio pelo mercado central, afinal, estávamos hospedados em frente a ele, no Monastério (uma boa localização para quem quer ir a pé também ao centro histórico). As meninas aproveitaram as últimas horinhas de passeio, enquanto os meninos foram trocar o óleo dos carros.
Trânsito lôko - Por falar em carro, vale deixar registrado um relato sobre o trânsito da cidade. É um verdadeiro caos dirigir pelo centro histórico, com ruas apertadas e muitos carros e ônibus circulando. Muitas vezes o GPS manda você para a contra-mão; outras vezes você não consegue olhar tão rápido a direção pelos mapas. Por causa desse caos, um casal Nera se perdeu do outro, no primeiro e no segundo dia; o Tanque ganhou uma cicatriz (leia-se arranhão); e todos do Projeto Nera ficaram, em um momento ou outro, prestes a arrancar os cabelos!
A experiência valeu para sentirmos na pele a dificuldade que também existe ao viajar de carro (nem tudo são flores). Verdade seja dita, às vezes você precisa ter paciência ao circular pelos centros das cidades desconhecidas para enfrentar engarrafamentos, labirintos de ruelas e a direção dos motoristas locais. É meia horinha perdida ali, meia horinha acolá. E, no final, poderia ter sido um passeio pelo museu que ficou faltando. Mas não tem como tirar essa parte do pacote. E nem precisa, porque todas as outras vantagens de uma viagem com carro próprio compensam!
Concluímos que Cusco merece não apenas uma passagem, como foi o nosso caso, mas uma estadia sem pressa, com tempo para apreciar a riquíssima cultura local. Para nós, ficou a vontade de voltar e conhecer de perto os detalhes das mil atrações da cidade e andar mais junto às cholas que continuam mantendo vivos os costumes do povo quéchua. Enfim, ficou a vontade de voltar para apenas contemplar!
Assinar:
Postar comentários (Atom)








Nenhum comentário:
Postar um comentário