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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Artesanato inca: uma aula de cores e de história


As cores foram, certamente, o pano de fundo da nossa viagem. Elas estavam presentes não só nas belas paisagens do caminho, mas também nos artesanatos coloridos que tão bem conversavam entre si nos mercados e feiras do Peru, do Chile, da Bolívia e do Noroeste (Noa) da Argentina. Eram tão bonitos que vieram para o Brasil em nossas malas e merecem ganhar um post só para eles.

Os produtos dos quatro países se parecem e são igualmente lindos - provavelmente pela proximidade histórica dos povos indígenas dessas regiões, que são denominados quéchuas e são devotos do Deus Sol e da mãe da Terra, Pachamama. Portanto, para quem se esqueceu de comprar ou ficou sem dinheiro antes da hora em um desses lugares, mas vai passar por pelo menos um deles depois, fique tranquilo que terá outra oportunidade de barganhar. Aliás, a primeira dica é essa: sempre barganhe! Em todos esses países foi possível ganhar um desconto ou outro nas comprinhas.

Cusco - A alegria do Projeto Nera 4x4 (das meninas, principalmente) começou em Cusco, no Mercado Central San Pedro - um dos maiores que visitamos. Por lá encontramos de tudo um pouco...

É um bom local para comprar gorros, luvas, ponchos, casacos etc. E também comidas em geral (batata; quinua de todas as cores; castanhas; porquinho da índia cru ou pronto pra comer...). A variedade é boa e dá para negociar. Vimos na prática a diferença entre as lãs de lhama e de alpaca. Aliás, opte sempre pela segunda, que é mais macia e não pinica. Mas há também muita opção de tecidos e roupas feitas com lã de ovelha e de algodão, que são mais baratas.


Na parte de cerâmicas, de tapetes e outros panos coloridos ficamos com gostinho de quero mais. Até ímãs de geladeira e chaveiros ficaram a desejar, no mercado de Cusco (mas algumas cidades à frente encontramos o que queríamos).

Já as comidas foram um espetáculo à parte. Conhecemos e experimentamos a chicha (suco de milho roxo) e o choclos com queso (milho – gigante – com queijo). Na parte das refeições, peruanos iam e vinham com uma sopa que parecia ser o grande PF dos nativos. Deu para ver que ela tinha legumes e carne vermelha, em meio a um caldo mais ralo. O ceviche do mercado, com direito a arroz e grãos de milho torrado (ou maiz), também vale a pena experimentar, segundo o casal nerense Patrícia e Flamel. Carol e Paulo ficaram só no choclos, que de tão graúdo, também os serviram muito bem.

A visita ao mercado San Pedro é obrigatória para entrar no clima da cultura do país e ter uma visão geral da arte produzida por lá. Mas segure a ansiedade porque é possível encontrar coisa tão ou mais bonita mais pra frente...




Pisaq – A lindinha cidade de Pisaq, na região do Vale Sagrado, no Peru, foi nosso próximo destino depois de deixar Cusco. No meio do caminho havia umas ruínas incríveis, mas isso é um capítulo à parte. Estávamos curiosos pelo mercado de lá, que, na verdade, é bem pequeno e tem apenas frutas, verduras e carnes. Mas era mais aconchegante e mais organizado que o de Cusco. Por lá, nos abastecemos de frutas, que nos serviram de café da manhã até na Bolívia.

Depois, descobrimos que a cidade tinha uma feira de artesanato na praça central. Nosso queixo caiu! A oferta pareceu bem mais ampla e com mais qualidade que a de Cusco, no quesito “cerâmica” e “panos em geral” (roupas, mantas, tapetes, bolsas etc). Além disso, é um ambiente mais tranquilo, ao ar livre, com os produtos bem dispostos.

De tão bonito que estava, roubamos uma horinha do nosso precioso tempo de viagem até Santa Tereza para apreciar. Sem saber se teríamos outras oportunidades à frente, garantimos nossas cerâmicas, entre elas um dos itens que mais procurávamos: os vasos de Quero (ou Kero). O recipiente faz parte da cultura inca e era utilizado antigamente em cerimônias religiosas. Também era comum usá-lo para beber chicha e bebidas alcoólicas.

Nós conhecemos o souvenir ainda em Cusco, em um bar. Ele foi servido à mesa com o delicioso Pisco Sour (uma espécie de caipirinha feita com a cachaça deles - o pisco -, limão e clara de ovo). Foi paixão à primeira vista pelo grupo todo e, a partir daí, começamos a busca por eles. É possível encontrar boas opções em todos os mercados daí pra frente (só não achamos boas e/ou baratas ofertas do copo em Cusco).





Aguas Calientes – Para nossa surpresa, a cidade de Machu Picchu Pueblo (ou Aguas Calientes) também tinha uma feirinha muito rica em tecidos e roupas, ímãs, suporte de panela, brincos e anéis, cerâmicas, souvenirs em geral... Mas é uma cidade cara – e os artesanatos também não escapam. A dica é deixar as principais compras para os outros lugares que passar.

San Pedro de Atacama – Apesar de ser uma cidade cara, que praticamente vive só do turismo, o artesanato tinha preços similares aos de Cusco e Pisaq. A oferta também é boa e encontra-se espalhada pelas lojinhas da cidade. Era tudo mais do mesmo, mas nunca cansávamos de entrar, apreciar e pechinchar. Esse ritual deixava as meninas felizes e os meninos, às vezes, impacientes.

Purmamarca – Aqui, sim, foi a última chance de barganha. E as meninas ainda não estavam cansadas. A singela cidade de Purmamarca, no Noroeste (Noa) da Argentina, nos surpreendeu com suas mil cores de souvenirs - talvez uma inspiração que vem do “Cerro de los siete colores” (símbolo turístico da cidade e outra história para contar).

Na praça central, as cholas vendiam roupas e panos e estavam dispostas a negociar; mas nós já não tínhamos mais dinheiro - só vontade de ver e aprender mais. A viagem estava chegando ao fim.

Bem... com ou sem dinheiro, é certo que os artesanatos foram uma atração à parte na viagem. Além de encantar os olhos com suas cores, eles nos inspiravam por toda história e cultura que traziam e que eram passadas pelos nativos que os vendiam. Por isso, talvez, o ritual de entrar, olhar e pechinchar (sem necessariamente comprar) se repetia em cada nova feirinha que encontrávamos pelo caminho.