quinta-feira, 23 de julho de 2015

Nossa rota: o que mudou entre o plano e a realidade




Há praticamente um mês terminava nossa expedição, no dia 27 de junho de 2015. Ao contrário do que era temido, conseguimos adiantar, e não atrasar, o nosso roteiro. Apertamos o ritmo nos últimos quilômetros, já no Brasil, para chegar com uma folguinha de um dia em casa e ter um respiro antes de voltar à realidade da labuta na segunda-feira.

Completamos cerca de 10.600 quilômetros, em 24 dias, com pernoites em 17 cidades. Acampamos cinco vezes, três delas em wild campings. Exatamente 3.342 quilômetros, praticamente um terço do percurso, foram rodados nos três primeiros dias. Focamos nas retas do Centro-oeste e do Norte do Brasil e chegamos ao Acre moídos. Mas foi só avistar a alfândega que dava acesso ao Peru que nossa energia se renovou para a aventura que estava prestes a começar (ou continuar).

O plano B era fazer esse primeiro percurso em quatro dias, mas conseguimos antecipar e ganhamos um dia a mais para aproveitar o Peru. Com ele, conhecermos com mais calma as cidades e as ruínas do Vale Sagrado, no caminho de Cusco até Santa Tereza (cidade onde começamos a trilha para Aguas Calientes).

Não conseguimos seguir a rota da viagem com a mesma precisão após o Peru. Como imaginávamos, imprevistos aconteceram e alguns quilômetros foram superestimados. Um exemplo foi o trecho que vai do Salar de Uyuni até a Laguna Verde, que totaliza cerca de 300 quilômetros. Apesar de ter sido uma das menores metas de percurso diário, era o trecho mais sinuoso (!) e cheio de pontos turísticos (era a reserva Eduardo Avaroa), o que nos fez parar cerca de 100 quilômetros antes. Uma parada bastante estratégica, inclusive, com direito a thermas quentes, numa noite gelada, sob um céu estrelado.


Dali em diante faltava um dos principais destinos da viagem: o deserto de Atacama. Nossa base foi a cidade de San Pedro de Atacama, e não acampamos uma noite no meio do deserto como planejamos. Cerca de 300 quilômetros antes havíamos passado por uma experiência de camping a -17 graus na laguna Hedionda, na Bolívia, que nos fez evitar outra situação parecida.

O tempo foi curto e não finalizamos o deserto com a visita às lagunas altiplanicas do Chile, nem com a subida ao vulcão Licancabur; mas em compensação fomos "batizados" com o vapor dos gêiseres El Tatio e com o sal da laguna Cejar.

Pretendemos aos poucos detalhar essas e outras aventuras que passamos. Podem esperar por momentos de alegria, apreensão, descobertas e muita emoção!

Veja como ficou nossa rota final (compare com a rota inicial):

MANHÃ
TARDE
NOITE
                 KM
4/6
Belo Horizonte - MG
Viagem
Santa Rita do Araguaia - GO
1157
5/6
Santa Rita do Araguaia – GO
Viagem
Vilhena - RO
1137
6/6
Vilhena - RO
Viagem
Extrema - RO
1048
7/6
Extrema – RO
Viagem/aduana
Puerto Maldonado – PE
731
8/6
Puerto Maldonado - PE
Viagem
Cusco - PE
499
9/6
Cusco - PE
Passeio
Cusco - PE
0
10/6
Cusco - PE
Pisaq – Ruínas
Urubamba/Lago Huaypo
100
11/6
Urubamba/Lago Huaypo
Santa Tereza
Águas Calientes
126
12/6
Águas Calientes
Machu Picchu
Santa Tereza
-
13/6
Santa Tereza
Viagem
Puno
585
14/6
Puno - PE
Viagem/Aduana
Copacabana - BO
176
15/6
Copacabana- BO
Isla / Viagem
Oruro - BO
385
16/6
Oruro - BO
Potosi - BO
Uyuni - BO
521
17/6
Uyuni - BO
Passeio
Salar Uyuni - BO
200
18/6
Salar Uyuni - BO
Passeio-viagem
Laguna Hedionda - BO
158
19/6
Laguna Hedionda - BO
Passeios
Thermas Polkes - BO
170
20/6
Thermas Polkes - BO
Viagem/Aduana
San Pedro de Atacama - CH
150
21/6
San Pedro de Atacama - CH
Passeios
San Pedro de Atacama - CH
70
22/6
San Pedro de Atacama - CH
Geiseres El Tatio
San Pedro de Atacama - CH
230
23/6
San Pedro de Atacama - CH
Paso de Jama /Aduana
Purmamarca - AR
411
24/6
Purmamarca - AR
Viagem
Roque Sanz Peña - AR
745
25/6
Roque Sanz Peña – AR
Viagem
Puerto Iguazu - AR
384
26/6
Puerto Iguazu - AR
Cataratas/Viagem
Londrina - PR
519
27/6
Londrina – PR
Viagem
Belo Horizonte - MG
1.111
28/6
Dia X



Total
10.613*

* O total pode variar em até 600 quilômetros para menos ou para mais, pois alguns trajetos não puderam ser calculados, como deslocamento dentro das cidades.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Artesanato inca: uma aula de cores e de história


As cores foram, certamente, o pano de fundo da nossa viagem. Elas estavam presentes não só nas belas paisagens do caminho, mas também nos artesanatos coloridos que tão bem conversavam entre si nos mercados e feiras do Peru, do Chile, da Bolívia e do Noroeste (Noa) da Argentina. Eram tão bonitos que vieram para o Brasil em nossas malas e merecem ganhar um post só para eles.

Os produtos dos quatro países se parecem e são igualmente lindos - provavelmente pela proximidade histórica dos povos indígenas dessas regiões, que são denominados quéchuas e são devotos do Deus Sol e da mãe da Terra, Pachamama. Portanto, para quem se esqueceu de comprar ou ficou sem dinheiro antes da hora em um desses lugares, mas vai passar por pelo menos um deles depois, fique tranquilo que terá outra oportunidade de barganhar. Aliás, a primeira dica é essa: sempre barganhe! Em todos esses países foi possível ganhar um desconto ou outro nas comprinhas.

Cusco - A alegria do Projeto Nera 4x4 (das meninas, principalmente) começou em Cusco, no Mercado Central San Pedro - um dos maiores que visitamos. Por lá encontramos de tudo um pouco...

É um bom local para comprar gorros, luvas, ponchos, casacos etc. E também comidas em geral (batata; quinua de todas as cores; castanhas; porquinho da índia cru ou pronto pra comer...). A variedade é boa e dá para negociar. Vimos na prática a diferença entre as lãs de lhama e de alpaca. Aliás, opte sempre pela segunda, que é mais macia e não pinica. Mas há também muita opção de tecidos e roupas feitas com lã de ovelha e de algodão, que são mais baratas.


Na parte de cerâmicas, de tapetes e outros panos coloridos ficamos com gostinho de quero mais. Até ímãs de geladeira e chaveiros ficaram a desejar, no mercado de Cusco (mas algumas cidades à frente encontramos o que queríamos).

Já as comidas foram um espetáculo à parte. Conhecemos e experimentamos a chicha (suco de milho roxo) e o choclos com queso (milho – gigante – com queijo). Na parte das refeições, peruanos iam e vinham com uma sopa que parecia ser o grande PF dos nativos. Deu para ver que ela tinha legumes e carne vermelha, em meio a um caldo mais ralo. O ceviche do mercado, com direito a arroz e grãos de milho torrado (ou maiz), também vale a pena experimentar, segundo o casal nerense Patrícia e Flamel. Carol e Paulo ficaram só no choclos, que de tão graúdo, também os serviram muito bem.

A visita ao mercado San Pedro é obrigatória para entrar no clima da cultura do país e ter uma visão geral da arte produzida por lá. Mas segure a ansiedade porque é possível encontrar coisa tão ou mais bonita mais pra frente...




Pisaq – A lindinha cidade de Pisaq, na região do Vale Sagrado, no Peru, foi nosso próximo destino depois de deixar Cusco. No meio do caminho havia umas ruínas incríveis, mas isso é um capítulo à parte. Estávamos curiosos pelo mercado de lá, que, na verdade, é bem pequeno e tem apenas frutas, verduras e carnes. Mas era mais aconchegante e mais organizado que o de Cusco. Por lá, nos abastecemos de frutas, que nos serviram de café da manhã até na Bolívia.

Depois, descobrimos que a cidade tinha uma feira de artesanato na praça central. Nosso queixo caiu! A oferta pareceu bem mais ampla e com mais qualidade que a de Cusco, no quesito “cerâmica” e “panos em geral” (roupas, mantas, tapetes, bolsas etc). Além disso, é um ambiente mais tranquilo, ao ar livre, com os produtos bem dispostos.

De tão bonito que estava, roubamos uma horinha do nosso precioso tempo de viagem até Santa Tereza para apreciar. Sem saber se teríamos outras oportunidades à frente, garantimos nossas cerâmicas, entre elas um dos itens que mais procurávamos: os vasos de Quero (ou Kero). O recipiente faz parte da cultura inca e era utilizado antigamente em cerimônias religiosas. Também era comum usá-lo para beber chicha e bebidas alcoólicas.

Nós conhecemos o souvenir ainda em Cusco, em um bar. Ele foi servido à mesa com o delicioso Pisco Sour (uma espécie de caipirinha feita com a cachaça deles - o pisco -, limão e clara de ovo). Foi paixão à primeira vista pelo grupo todo e, a partir daí, começamos a busca por eles. É possível encontrar boas opções em todos os mercados daí pra frente (só não achamos boas e/ou baratas ofertas do copo em Cusco).





Aguas Calientes – Para nossa surpresa, a cidade de Machu Picchu Pueblo (ou Aguas Calientes) também tinha uma feirinha muito rica em tecidos e roupas, ímãs, suporte de panela, brincos e anéis, cerâmicas, souvenirs em geral... Mas é uma cidade cara – e os artesanatos também não escapam. A dica é deixar as principais compras para os outros lugares que passar.

San Pedro de Atacama – Apesar de ser uma cidade cara, que praticamente vive só do turismo, o artesanato tinha preços similares aos de Cusco e Pisaq. A oferta também é boa e encontra-se espalhada pelas lojinhas da cidade. Era tudo mais do mesmo, mas nunca cansávamos de entrar, apreciar e pechinchar. Esse ritual deixava as meninas felizes e os meninos, às vezes, impacientes.

Purmamarca – Aqui, sim, foi a última chance de barganha. E as meninas ainda não estavam cansadas. A singela cidade de Purmamarca, no Noroeste (Noa) da Argentina, nos surpreendeu com suas mil cores de souvenirs - talvez uma inspiração que vem do “Cerro de los siete colores” (símbolo turístico da cidade e outra história para contar).

Na praça central, as cholas vendiam roupas e panos e estavam dispostas a negociar; mas nós já não tínhamos mais dinheiro - só vontade de ver e aprender mais. A viagem estava chegando ao fim.

Bem... com ou sem dinheiro, é certo que os artesanatos foram uma atração à parte na viagem. Além de encantar os olhos com suas cores, eles nos inspiravam por toda história e cultura que traziam e que eram passadas pelos nativos que os vendiam. Por isso, talvez, o ritual de entrar, olhar e pechinchar (sem necessariamente comprar) se repetia em cada nova feirinha que encontrávamos pelo caminho.

domingo, 7 de junho de 2015

Somos amigos viajantes na estrada da vida

Desde o início queríamos fazer adesivos para identificar nossa expedição e caracterizar nossos carros. Mas acho que não imaginávamos o poder que eles teriam de atrair os olhares das pessoas. Alguns olham discretamente e ficam quietos. Outros conversam entre si e leem o nome da expedição em voz alta; já outros nos chamam para uma prosa.

Tem também os simpáticos atendentes de postos de gasolina que querem entender quem somos nós e nos dão uma atenção fora do normal. Junto vem sempre um desejo de boa viagem e boa aventura. E também perguntas e comentários dos tipos: “vocês estão indo pro gelo mesmo?”, perguntou o senhor tomando sua cerveja num posto; “Já passei por vocês três vezes. Também estou vindo de Beaga”, nos surpreendeu o caminhoneiro que estava à nossa frente na fila do “siga e pare” (ficamos até imaginando se viraríamos história de boleia de caminhão).

Outras vantagens de estarmos “etiquetados” são as dicas que chegam dessas mesmas pessoas e de quem está fazendo a mesma viagem que a gente. Já conhecemos mais de um grupo de motociclistas sempre dispostos a trocar ideias sobre o percurso.

Com certeza os adesivos atiçam a curiosidade, mas certamente a boa receptividade e a gentileza do povo brasileiro é que fazem isso acontecer. Está sendo divertido, gratificante e muito rico não passarmos despercebidos.Ah! Somos apenas amigos viajantes na estrada da vida! E isso é uma grande coisa!


quinta-feira, 4 de junho de 2015

É hora de partir rumo aos Andes!

É chegada a hora. Dia 4 de junho de 2015, 4 horas da madrugada. Vamos pegar a estrada rumo aos Andes e rumo a milhares de sensações que uma expedição desse porte pode nos proporcionar. Que os ventos nos levem por bons caminhos e nos tragam de volta com uma bagagem imensa de sentimentos vividos e de experiências compartilhadas entre amigos.

O plano que traçamos foi sair às 4 horas da manhã de Belo Horizonte (MG) com destino a Rio Branco, no Acre. A previsão é de que cheguemos por lá daqui a três dias. Caso fique muito apertado, usaremos mais um dia para isso. Afinal, são mais de 3.500 quilômetros de distância.

Pretendemos pernoitar em Mineiros (GO) e Vilhena (RO), o que dá entre mil e pouco mais 1.200 quilômetros percorridos em cada um dos três dias.

Pernoitaremos em Rio Branco e, no dia seguinte, seguiremos para a cidade acreana de Assis Brasil, onde passaremos pela aduana, na fronteira do Brasil com o Peru. Aí, pausa para os protocolos, que não imaginamos quanto tempo levará (algumas aduanas no nosso caminho podem nos tomar horas).

De lá pra frente, seguiremos com destino a Cusco, passando (e talvez pernoitando) por Puerto Maldonado. Mas depois de cruzamos a fronteira daremos mais notícias.

Notícias que, por sinal, podem ser irregulares, já que dependeremos do uso da internet wireless de estabelecimentos que passarmos. Mas é certo que toda informação que vir tardiamente estará mais completa e mais bem refletida por nós.

Por enquanto é isso, estamos partindo com os carros abarrotados. É muito peso para carregar, mas junto vem a segurança de que estamos bem servidos de equipamentos, roupas e comida!

Boa viagem para nós e que nossos leitores também aproveitem a aventura!


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Dionísio e Tanque estão prontos e transformados

Nossos guerreiros Tanque e Dionísio estão prontos para a expedição. Muitas coisas foram feitas até o último minuto, mas a revisão e as grandes mudanças começaram há mais de um mês.

Na revisão, os carros ganharam pneus novos, ficaram mais altos, alinhados etc. Além disso, alguns itens foram pensados para garantir mais segurança e robustez a eles. Produzimos cortinas para as janelas laterais e traseiras para camuflar as bagagens que vão atrás, em momentos em que deixaremos os carros estacionados.

Também instalamos bagageiros de teto, que nos darão mais espaço para guardar objetos, como galões de água e de combustível.

O que fizemos para a "transformação":

- Lift de 1,5 polegada
- Pneus 235/70-16
- Alinhamento e balanceamento
- Troca do óleo do motor
- Troca de correia de comando
- Troca de polia do motor
- Troca de pastilhas de freio
- Fluído de arrefecimento p/ baixas temperaturas
- Bieleta direta
- Cortina para janelas laterais e traseira para disfarçar as bagagens em momentos em que os carros ficarão estacionados.
- Bagageiro de teto para ganhar mais espaço para as bagagens, inclusive para os galões de água e combustível.
- retirada dos bancos traseiros para garantir mais espaço para as bagagens.

E como "kit sobrevivência" veicular, estamos levando para cada carro:

- Correia de comando
- Filtro de óleo
- Polia do motor
- Lâmpadas extras de farol

Ainda faremos fotos dos guerreiros em belas paisagens, mas por enquanto vejam algumas imagens que mostram um pouco do antes e do depois da preparação.

Antes:

Tanque durante a transformação mecânica

Dionísio durante a transformação mecânica

Depois:

Tanque em seu primeiro abastecimento para a viagem